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CORIOLANO CORREA / ARCHITECT

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O Celular

Posted by Coriolano Correa on March 12, 2014 at 5:05 PM Comments comments (0)

 

Ela está internada.

Ele tinha muita coisa pra dizer, muita mesmo, coisas que guardava pra si há meses, que a sua mente formulava a cada minutinho besta do dia. Ele só precisava de tempo pra falar, um tempo verdadeiro com ela. Ela tinha um dia muito corrido, mas a todo minuto dava um sinal, não de vida, mas um sinal. Ele sempre a chamava pra sair, pra conversar, e ela sempre ia. Nem sempre a conversa fluía, mas ela sempre estava lá, mas nem tanto quanto ele estava. Ela sempre estava em dois lugares ao mesmo tempo e ele sempre foi compreensivo. Era o jeito dela.

― Vou ser direto ― disse ele.

― Por favor ― disse ela olhando fixamente, mas não pra ele.

― Eu gosto de você, mas gosto pra valer. Pra ser, pra se ter.

― Espera! ― disse ela, logo se pronunciando ― Oi? Não entendi!.

Ele levantou e foi embora. Só foi. Chegando em casa, precisava de um sinal pra desabafar com alguém. Achou um celular na gaveta, sem sinal.

Bateu na porta do vizinho, um amigo antigo.

― Ei cara, quero conversar.

― Encontrou ela, né? Você disse o que queria?

― Não, agora ela está internada.

― Como assim? O que aconteceu com a saúde dela? Estava tão bem.

― A saúde sempre esteve bem, e ainda está, graças por isso, mas a cabeça está doente. Ela está presa, na verdade.

― Não estou entendendo ― disse o amigo com as mãos na cabeça.

― Ela não tem tempo, ela não consegue olhar nos meus olhos por mais de 2 segundos porque o celular dela não para de vibrar.

Ele a viu ali, pela última vez, internada num aparelho. Ele dava sinais o tempo todo, ela também, mas só pra sua rede de contatos. Esqueceu da vida, e ele dela. Simples assim.

 

 

 

 

 

— Prefira Borboletas

 

 


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